sábado, 11 de setembro de 2010

Contos

    Conto de Gisele dos Santos da Silva: 



Nem tudo é morango

Num castelo preto esverdeado que ficava no oeste da China, morava uma garota de dezesseis anos chamada Belinda. Mas Belinda não era uma simples garota: ela era filha do Lord Edward, um poderoso bruxo inglês, e da rainha Bridget, que vinha de um reino próximo ao Arizona. Não é por acaso que Belinda era uma princesinha meio atrapalhada e rebelde, dona de poderes incríveis.
A menina meio-princesa e meio-bruxa vinha passando por momentos difíceis: as angústias da adolescência, o primeiro amor e a espera do primeiro beijo... e por isso, se comportava cada vez pior. Ela estava apaixonada por um garoto muito estranho chamado Martim. Belinda e Martim viviam em pé de guerra, até que um dia ela resolveu dar uma lição no garoto. No colégio, durante o intervalo, Belinda foi até a mesa em que Martim estava sentado e, enquanto ele conversava distraidamente com um amigo, a garota trocou o ovo que estava no prato por um ovo podre. Meia hora depois, Martim foi levado para o hospital com uma forte intoxicação alimentar.
Quando Belinda chegou em casa seu pai estava muito furioso pela brincadeira de mal gosto da menina e, como punição, trancou-a no porão do castelo, onde passaria a noite sozinha. Quando estava no porão, Belinda encontrou uma joaninha andando no corrimão da escada. A garota tentou pegar o inseto quando, de repente, ouviu um barulho estridente – era a joaninha mandando a bruxinha soltá-la. Assustada, Belinda soltou o inseto que se transformou em um gigante feioso e começou a xingá-la. Depois de se acalmar, o gigante perguntou por que Belinda estava ali trancada e sozinha. Então, ela explicou o que havia acontecido e prometeu se vingar de Martim. Foi aí que ela teve a ideia de pedir ajuda ao gigante que, sem rodeios, aceitou ajudá-la.
Na manhã seguinte, quando Martim foi tomar seu café da manhã, encontrou sobre a mesa um apetitoso pedaço de pudim e ao lado do pudim estava uma pequena joaninha. O garoto comeu um pedaço do doce e, no mesmo instante, caiu duro no chão, petrificado. Quando a mãe do garoto o encontrou, ele estava morto e não havia mais nada a fazer. A noticia logo se espalhou por todo o bairro e, ao saber do ocorrido, Lord Edward não teve dúvidas de que isso era trabalho de Belinda.
Como castigo, Lord Edward trancou Belinda em um casebre sombrio, no meio da floresta do reino, e disse que ela ficaria presa até completar vinte e cinco anos, sem poder ver ninguém, para que repensasse seus atos. Belinda começou a chorar, indignada com a atitude de seu pai. Quando ela deu conta de que tinha matado o garoto que amava tentou se matar com uma faca, mas nada aconteceu, pois a maldição condenava-a a ficar presa ali por nove anos.
Depois de uma noite de lágrimas e desespero, Belinda se levantou e viu uma luz brilhando no canto da lareira. Ela foi até a luz e, ao se aproximar, viu que era um botão muito brilhante. A garota acendeu a vela e percebeu que o botão pertencia a uma bicicleta um tanto esquisita. Ela se sentou na bicicleta, apertou o botão e, num passe de mágica, saiu voando pelo céu a fora. Quando percebeu, Belinda estava em um reino muito diferente, em que no céu, ao invés de pássaros, havia chicletes coloridos, como se fossem estrelas.
Quando a bicicleta aterrissou, Belinda viu um sapo pulando em sua direção. A garota então pensou: “este sapo deve ser o príncipe encantado que eu tanto procuro”. Ela pegou o sapo, beijou-o e, de repente, o animal se transformou em um bicho-papão que saiu correndo atrás da menina, tentando agarrá-la a força. Quando já estava sem forças, prestes a desistir da fuga, um poderoso tornado veio e sugou o bicho-papão. Belinda caiu desacordada. Quando retomou a consciência, Belinda viu um daqueles chicletes que estava no céu ao seu lado, pegou-o e ficou observando-o. Ela pensou consigo: “já que estou perdida mesmo e não sei pra onde ir, acho que vou comer este chiclete”.
Quando ela colocou o chiclete na boca sentiu seu rosto queimar e cuspiu-o imediatamente. Ao tocar no chão, uma nuvem de fumaça se formou e o chiclete mágico se transformou num lindo rapaz. Belinda perguntou quem era ele e o rapaz disse que era um aprendiz de feiticeiro que havia sido transformado em chiclete por uma bruxa com quem não quis se casar. Ele só voltaria à posição humana quando uma meia-bruxa irresponsável o mastigasse.
Belinda olhou o rapaz, pasmada. O rapaz convidou-a para ir com ele para a escola de magia e, de forma carinhosa beijou-a docemente. Depois do beijo Belinda pensou: “hum, eu sempre imaginei que o meu primeiro beijo teria gosto de morango... mas não de chiclete!”.

Conto de Thais Correia:

De Bem Bem Perto Daqui para o Outro Lado do Mundo

Era uma vez um castelo xadrez, no reino Bem Bem Perto Daqui. Lá tudo é colorido e diferente dos outros reinos. Tem um rei divorciado, uma ex rainha, uma princesa internauta, um mordomo anão que, enfeitiçado por um chiclete mágico tornou-se gigante...
Numa tarde de arco-íris, a Princesa, que deveria estar fazendo os trabalhos da faculdade, decidiu passar horas teclando com seu namorado made in China, mais conhecida como Outro Lado do Mundo. Ela foi interrompida pelo mordomo anãogigante que avisou-a que seu pai, o Rei, preparava-se para uma viagem urgentíssima para a África. Ele estava indo buscar uma joaninha roxinha e dourada para fazer companhia ao joaninho de estimação do palácio.
Aproveitando a ausência do pai, a Princesa, rapidamente, decidiu arrumar a mochila e pedalar sua bicicleta voadora em direção à China, para fazer uma visita surpresa para seu namorado de olhinhos apertados.
Chegando lá, foi direto para a kitinete-ovo onde o menino morava. Tocou a campainha. Sentou, comeu seu sanduíche de algodão... Nada! Ela resolveu então apertar o botãozinho do telefone móvel em forma de brincos que ela carregava na orelha e discar para o namorado para perguntar onde ele estava. E onde ele estava? Bem na frente do castelo xadrez. É, ele também teve a idéia de surpreendê-la: pegou carona num tornado e rapidamente chegou a Bem Bem Perto Daqui.
Depois de alguma discussão e daqueles “tsc, tsc” que as pessoas fazem quando estão desapontadas decidiram se encontrar numa bela confeitaria em Portugal, que ficava na metade do caminho. E foi assim que tudo acabou em pudim. 

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