04/11/2010 - 09h02
Morte ganha diferentes interpretações em obras infantis
Falar da morte está deixando de ser um tabu. Principalmente com as crianças. Mesmo que ainda tímidos, os livros fazem sua contribuição e tratam do tema tanto da forma mais sentimental quanto fazendo da própria morte uma personagem hilária e, até, simpática (claro, desde que ela não venha conversar com você).
"O Pato, a Morte e a Tulipa" opta por explorar os simbolismos do tema. O autor e ilustrador alemão Wolf Erlbruch encara no livro a morte de um modo menos negativo e agressivo do que estamos acostumados. A morte sempre está por aí, e assim é a vida. A brincadeira do autor rende muitas reflexões. E vale cada um pensar na sua. "Menina Nina", do escritor Ziraldo, é o exemplo do texto que não busca esconder da criança a realidade. Na narrativa, o autor explora a bonita relação da família, ilustra o luto e a melancolia sentidos pela garota, e dá dicas de que a dor vai passar, a vida continua e de que sentir saudade também é uma coisa gostosa quando a gente ama. A escritora Clarice Lispector também faz sua contribuição com "A Mulher que Matou os Peixes". No caso, como confessa, "a mulher" é ela mesma, mas não, não se espante, leitor, pois ela confessa também, em seguida, que o que aconteceu foi sem querer, uma tragédia. E ao longo do livro Clarice conta e reconta histórias suas com animais e os acontecimentos que precederam o terrível evento. Em "Contos de Morte Morrida", Ernani Ssó usa do humor e transforma A morte como a personagem principal de nove contos. Cheias de humor e situações tenebrosas, a famosa e nem sempre solitária senhora encapuzada ergue sua foice para alcançar aqueles que tentam enganá-la. Dona Morte já está muito cansada para esse tipo de brincadeira. Encarar a morte nunca é fácil, mas a identificação dos leitores mirins com esses personagens pode ser um começo para a melhor aceitação dos sentimentos e das saudades.